Absinto

Desventuras Em Série

Enquanto os bafafás giram em torno de O Segredo, Tropa de Elite e, mais que tudo, o último Harry Potter, eu cá bati o olho, às vésperas de meu aniversário, na série das Desventuras. Dei uma folheada básica e não titubeei: comprei os três primeiros.

O filme eu até tinha tentado ver, mas achei bem ruinzinho. Dormi em todas as três ou quatro vezes, inclusive. Em parte me arrependo, pois ele às vezes “pop-upeia” em minha cabeça, tirando um pouco a graça do livro. Mas não o suficiente. O livro é muito bom.

OS livroS, na verdade. Em uma sentada li o primeiro e noutra, passei da metade do segundo. De fato, Lemony é um cara honesto. Até chateia, de quantas vezes ele diz que a história é triste e desagradável; que se quiser ler histórias felizes vá ler outro livro. Mas até que o excesso de aviso é válido quando você entende qual é a dele.

O “Mau Começo”, primeiro exemplar da série, já vem com um aviso do espírito de porco satírico do autor. É uma dedicatória a uma tal de Beatrice, “querida, adorada, morta”. E o livro muito pouco infantil começa assim.

Aos odiadores de spoilers, nem recomendo. Pois Lemony Snicket não faz cerimônia em já avisar com bastante antecedência quais desgraças vão ocorrer páginas e páginas à frente. Eu adorei. E me contorci de rir quando ele menciona que “pobres crianças, mal sabem que numseiquenzinho¹ vai morrer, mas isto é mais pra frente”, por exemplo.

A impressão é que o sujeito, escrachado até doer, se recusou a revisar o livro. Como se escrevesse bem por natureza e contasse a história assim, como num blog: Capítulos são interrompidos para descrever o seu quarto, mencionar Beatrice ou pedir desculpas por parar de escrever num ponto crucial, pois estava atrasado para um jantar. Notas de rodapé, parênteses e travessões chovem o tempo todo, explicando palavras, contextos e expressões. Ao meu ver, o tradutor, inclusive, entrou no espírito da coisa, acrescentando notas fantásticas aos livros. (Pensando bem, acho que o livro seria excelente para crianças. É daqueles que tem um monte de palavras novas, mas que não obrigam o moleque a correr prum dicionário vinte e oito vezes por capítulo.)

É literatura da boa. De leitura agradável para, creio eu, todas as idades. Com o fantástico na medida – dando apenas nuances a personagens, contextos e cenários.

O filme não faz jus. Mas também, acho que nem tem como. Creio eu – não vi o filme todo e ainda estou no segundo livro da série -, o filme conta os doze livros numa tacada só. Ou, ao menos, grande parte. Um resumo desonesto.

Mas, no entanto, é na escrita de Lemony Snicket que está a graça da coisa. E, sinceramente, não acredito que a versão cinematográfica poderia ser melhor.

Vale a pena. Vale cada real gasto e cada minuto de leitura (que nem são muitos, devo dizer – em ambos os casos).

Acho, aliás, que nem vou começar a ler o terceiro, enquanto não estiver com o quarto, o quinto e o sexto em mãos.

E quem quiser saber mais sobre o doido, http://www.lemonysnicket.com

¹:Tá. E vocês acham mesmo que eu vou contar quem é?

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