Absinto

Hoje é dia de Obama!


Tá que a gente não deveria postar opinião política-partidária por aqui, porque a gente parte do princípio que nosso leitor/ouvinte/etc. não tem patavina a ver com quem a gente vota ou deixa de votar, mas, neste caso específico, eu me sinto em pleno direito (e não só direito, mas também dever) de expôr minha opinião. Até porque, né gente?, não tô influenciando o voto de ninguém com este post, creio eu.
E se sim, também, foda-se. Porque eu estou muito certa de que, neste caso bem específico, é uma questão maior e muito, muito mais importante (e isso significaria também que a gente tem leitor gringo, puro lusho. mas acho que nem rola, ainda…).

Pois bem. Tendo eu me explicado, prossigo.

Pra quem não sabe ou não se deu conta ainda, hoje pode ser um dia decisivo na história do mundo – e se você não está sabendo disso, recomendo correr ao banheiro, enfiar a cara na privada e dar descarga três vezes: HOJE ACONTECE A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA.

E se você, querido leitor, ainda está aí coçando a cabeça feito um macaquinho e se perguntando por que raios isto é algo importante, que você nada tem a ver com isso e você quer mais é que os americanos se fodam, porque você não tá nem aí pro presidente que eles vão escolher, então eu recomendo que você procure um prédio bem alto (mas beeeeeeeeeem alto), vá até o terraço e se jogue lá de cima. Porque, né, gente?

Senador desde 2004 (e com mandato até 2010), Barack Obama nasceu em Honolulu – Havaí. Filho de Queniano, graduou-se em ciências políticas pela Columbia (NY) e é, neste exato instante, representante do partido Democrata dos Estados Unidos.
Diferente do que acontece no Brasil, os Democratas norte-americanos são o mais próximo do que a gente conhece por Esquerda.

Eu devo confessar de antemão que eu sou apaixonada por esse cara. Apaixonada mesmo, os quatro pneus arriados. Mas sabe? Politicamente. E devo acrescentar aqui que ele não me ganhou este amor incondicional de graça; não mesmo!

Tenho acompanhando de todas as maneiras possíveis o desenvolvimento da sua campanha (e do adversário John McCain), tenho visto pesquisas, noticiários, comentários de jornalistas (infelizmente perdi o debate e ainda não me recuperei pela frustração). Tenho visto, inclusive, as tendenciosíssimas opiniões da CNN (a Globo gringa), que fazem de tudo pra convencer o espectador de que Barack Obama não é uma boa opção.

Mas não adianta. Eles não conseguem me convencer. Não conseguem, pois vejo em Obama algo que não vejo há muito, muito tempo em um político, e isto me cativa: eu vejo paixão e, mais que tudo, honestidade, sinceridade. Sabe? Barack Obama é um homem que acredita no que faz. Que não é político porque dá dinheiro, mas que vive e respira política por todos os poros. Eu admiro isso. Admiro a força que ele tem, o jogo de cintura, a gentileza.

Certa feita, vi uma entrevista cretina feita a ele por David Letterman, onde o pulha do apresentador estava mais preocupado em constranger o entrevistado e saber de sua vida pessoal do que qualquer outra coisa. Ah, vá! Você tem o candidato à presidência da república no seu programa e vai querer saber, sei lá, com que roupa e em que posição ele dorme? (tipos a repórter da Globo, que anunciou que um certo político de São Paulo – não lembro quem – saiu da eleição e foi comer um pastel… ¬¬)
Obama, como sempre, foi bastante gentil e cortês, mas ainda assim incisivo e direto em suas respostas, mostrando ao asno (ofensa por minha conta) do Letterman o quanto aquelas perguntas eram irrelevantes. E com muito senso de humor, devo completar…

E, sabe?, é assim que ele lida com as coisas. Com seriedade e descontração ao mesmo tempo. Com sabedoria. É centrado, decidido… Mas ao mesmo tempo, é bem gente. Talvez mais gente do que eu ou você. Um sujeito iluminado. Fico emocionada com ele falando. Sua retórica é impecável, ele fala justo aquilo que a gente precisa ouvir naquela hora: a verdade.

Não, não é uma verdade absoluta. É a verdade dele. É aquilo que ele acredita. Você sente que aquilo tá saindo do coração, do âmago, de cada vértebra da espinha. Não é um discurso superficial de campanha, como a gente tá acostumado. Não são palavras, apenas. São inspirações. São votos de esperança de que o mundo pode mesmo ser um lugar melhor.

Não me importo de estar usando clichês aqui. Não me importo porque, pra mim, chega a ser quase impossível descrever como eu me sinto vendo Obama falar ao povo. Fico emocionada, inspirada. Me faz acreditar de novo. Me faz acreditar, pois nele vejo fé. E não, não falo aqui de religião. É uma fé em algo maior. É fé nas pessoas e em si mesmo. É coisa que só vendo pra entender.

Estava, há muito, desapontada com tudo e com todos no que tange a política. Estava broxada, mesmo, achando que o mundo não tinha mais solução, sabe? Que não tinha restado um só político em que eu pudesse acreditar e confiar de olhos vendados e no qual eu votaria e faria campanha e dedicaria minha vida a fazê-lo chegar ao poder. Sim, eu tenho meus candidatos por aqui e eu acredito e confio neles, mas não é a mesma coisa. Sinto Obama como um messias, um enviado direto do que Deus deveria ser.

Por mim, ele pode errar quanto for. Pode fazer merda sim, todo mundo faz. Mas eu continuarei na certeza de que ele fez o que quer que tenha sido acreditando de fato que aquela era a melhor opção. Que ele pensou muito e consultou muito as pessoas que trabalham com ele, que ele admira e respeita; perdeu noites de sono; acredita do fundo da alma que é o melhor a fazer. E quando ele não sabe, ele não sabe e pronto. Não fica tentando enrolar, admite e pronto. Se informa, procura aprender.

E nem me venham com esse papinho de “de boa intenção o inferno está cheio”, porque taí um ditado que eu não concordo. Porque é muito fácil dizer “desculpa, não era minha intenção”, mas raras as vezes essa frase é dita com a carga de honestidade que ela requer. É muito mais um “não me importei o suficiente e não parei pra pensar nas conseqüências disso” do que uma boa intenção, de fato.

Barack Obama me inspira. Me faz crer que a política externa norte-americana – e, por conseqüência, de todo o mundo – pode mudar. Porque, não adianta, os EUA ainda são a maior e mais influente potência do mundo; e um peidinho que saia mais fedido na Casa Branca vai influenciar diretamente a minha vida. E a tua. E a da tua sogra, do teu vizinho, do cachorro da tua prima e daquele guardador de carros que fica naquela cidadezinha ali da Indonésia, ó…

Influencia, porque nosso lastro é em Dólar. Influencia, porque os EUA ainda têm o maior poder bélico do mundo (e uma estratégia pífia e cruel até então). Influencia, porque é bem debaixo da mesa desse homem que fica o botão vermelho que pode gerar uma nova hecatombe. E mais outra, e mais outra. E esse botão precisa estar nas mãos de um homem sensato. Tivemos vários anos para provar isso, da merda que pode ser quando o controle de um país tão importante está nas mãos de um imbecil.

Eu acredito em Barack Obama. Acredito, com toda intensidade que me cabe. Acredito com todas as minhas veias e fios de cabelo. Porque acredito que ele acredita. E se ele acredita mesmo, ele pode. Pode fazer diferente; pode fazer o bem. Pode mesmo transformar o mundo em um lugar melhor.

Ele está na frente em todas as pesquisas, inclusive nos Estados mais decisivos. McCain ainda arrota que irá surpreender todo mundo e, não nego, eu temo mesmo que ele consiga (de maneiras ilícitas, inclusive) – e eu me cago toda só de imaginar que esse cara pode vir a ganhar.

Vos digo, queridos leitores, que se McCain ganhar essas eleições, perco minha fé na humanidade. Se Obama não for eleito e as coisas continuarem seguindo o rumo em que já estão, a decepção que irei sentir não está listada em nenhum auto já publicado na história da humanidade. E chorarei, em nome de todos os cidadãos que habitam este planeta.

Cruzem os dedos. Acendam velas. E, mais que tudo, acompanhem a apuração com a mesma atenção que acompanham a final do campeonato do time que você torce, o último capítulo da novela ou o episódio final daquela série que você passou anos de sua vida acompanhando.

E, mesmo que você não concorde com uma palavra sequer do que escrevi aqui, dê a devida importância. É um apelo, um pedido. Se informe, saiba o quanto isto tudo é importante para você. Mais importante, inclusive, do que qualquer final de novela ou de campeonato. Chega desse papo de “não gosto de política, não me importo com essas coisas”. Isso só faz de você um ignorante. E ignorância, digam os tolos o que disserem, não é uma dádiva. Ignorância envenena e te torna um imbecil.

Não estou pedindo aqui para que você seja um ativista político, tampouco dizendo em quem você deve votar ou deixar de votar. Estou, sim, implorando pra que se informe e, quem sabe, reconheça o quanto a política faz parte direta da sua vida; o quanto tudo isto é importante pra você.

Este dia será decisivo. Anotem isto. Hoje, quatro de novembro de dois mil e oito. Hoje pode ser o dia que tantos esperam. O dia tão sonhado.

Hoje, meus caros, pode ser o dia em que o mundo irá mudar.

Edit: Ai, até me caguei quando o Obama ganhou! ^^

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Um comentário em “Hoje é dia de Obama!

  1. Ai cara, vcs viram o discurso dele no utubiu? Eu me arrepiei todinha quando ele disse no final, que somos todos um. Eu finalmente suspirei, e cheguei a constatar que n estamos tão perdidos assim!!:DD

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