Absinto

The YO! Fashion

O hip-hop anda mesmo em alta. A musa teen da atualidade é a barbie negra Beyoncé Knowles. Na carona, surgiram milhares de Ashantis e Kelis, Mariah Carey voltou a fazer sucesso e até J-lo e Cristina Aguilera aderiram ao estilo YO! de ser. No Brasil, Negra Li surge do absoluto nada e já é VMB. Eminems, Outkasts e Marcelos D2 tomam conta das pistas de dança do mundo inteiro e ganham versões trance, house, drum ‘n’ bass e o que mais você puder imaginar. Boinas adornam a cabeça de todas as celebridades pop e shortinho com salto agulha nunca foram tão populares quando juntos. Mil correntes trespassadas e transpassadas para todos os lados, argolas gigantescas, pulseiras maiores ainda: Is the YO! fashion, everyone!

Andando pelo Iguatemi, vim analisando as vitrines de todas as lojinhas de peudo-grifes, onde C&A é vendido a preço de Calvin Klein e Impressão Digital começa a achar que é Dolce & Gabbana.
Numa das lojas da “parte pobre” da Alameda das Grifes, vi mesmo foram umas combinações muito estranhas. Era um negócio de bermudão de cetim com bota de cano longo pra cá, blusinhas de 30 camadas de tecido pra lá, shortinhos minúsculos com tops menores e tantas correntes penduradas que mal imagino como alguém poderia andar carregando tanto peso – não, as combinações não eram muito felizes.

Tudo bem, a idéia é boa. Mas, pelo visto, o pessoal não anda sabendo juntar as peças desse complicadíssimo quebra-cabeças. Lembra-me da invasão oriental que andou acontecendo uns meses atrás, que ia desde o visual colegial dos animes japoneses aos longos vestidos de seda chinesa. O problema é quando as pessoas começam a misturar uma com outra e a coisa torda perde o sentido. Um festival de camisas de seda com saias plissadas invadiram as ruas, acompanhadas de botas e sei lá mais o quê. Os cabelos lisérrimos, pretíssimos e cheios de franja e pompons de plumas, presilhinhas, mechas em cores fantasia. Tudo isso é lindo, uma gracinha. Mas quando junta tudo, normalmente, não funciona.

Agora, milhares de patricinhas começaram a adotar o estilinho YO!, e estão enveredando pelo mesmo caminho. Menininhas loirinhas e bonitinhas exibem suas camisetinhas com um enorme A de anarquia e ostentam símbolos anti-KKK (vai entender a relação), com toda aquela coisa de ideologia negra e tudo o mais. E a salada não pára por aí. Cores berrantes tomam conta das roupas, sapatos e bijouterias sem uma mistura coerente. Eu juro que não entendo bem o que acontece…

Agora, me diz uma coisa, o que leva uma menina abonada, loira, branca e que nunca leu uma letrinha de rap, sequer, a querer adotar tal estilo/postura/ideologia? Será que elas pensam que ouvir Beyoncé vai torná-las parte de tudo aquilo que os não-pops do hip-hop representam? Ou será que elas querem é estar na modinha, mesmo, sem sequer se preocupar com o que tudo aquilo representa?

A onda hip-hop e, em especial, a estética do movimento, é bem interessante, mas nunca, jamais, sem um propósito. Há toda uma questão ideológica por trás dos shortinhos, boinas e panos e correntes pendurados. Eu tanto sei que essa parafernália toda faz algum sentido, quanto não sei bem ao certo do que se trata. Então prefiro não arriscar.

(este texto também foi escrito muito tempo atrás para o e-Dônico, um e-zine que jamais fora consumado)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s