Formoldeído

A Pomba-Gira do Rio Vermelho.

Ela está lá.
Não importa o dia ou a hora. Não importa se venta ou se chove.
Após o primeiro gole de cerveja, ela está lá.

Ninguém sabe de onde veio nem para onde vai.
Ninguém, sequer, tem certeza de que ela exista.
Mas ela sempre, sempre estará lá.

Ela grita com o vento, briga com o ar.
Pula de um lado para o outro, ameaça estrelas.
Aponta e ofende, sem ao mesmo saber por quê.

Há também as cusparadas: um ritual.
A baba esbranquiçada escorrendo pela boca em uma linha fina.
Faz barulho quando cospe.

Causa asco em todos que estão por perto. “Duvido que tenha tomado banho!”.
Mas tem lá seu lado sensível…

O pobre homem, nojento que ele só! Um completo desconhecido.
Desmaiado em cima da mesa, jamais fora visto por lá.

A Pomba-Gira gira seu rosto cuidadosamente. Pega o papel que paira sobre a mesa.
Arruma calmamente os braços esparramados do pobre homem.
Acaricia seu rosto com uma doçura jamais imaginada possível. Ela sorri, acreditem!
A baba gorfada do Pobre-Homem escorre pela barba e pinga na mesa.

A Pomba-Gira dança. Veste-se do mesmo jeito ou de jeito diferente.
Não importa. Duvido que tome banho…
Mas isto é ainda menos importante!
O importante é que ela estará lá.

Enquanto Morfeu acaricia os Normais, ela acaricia seu Pobre-Homem;
Grita com o vento, ameaça desconhecidos, briga com as estrelas.
Com suas cusparadas barulhentas, ela sempre estará lá, a recitar seu mantra:
VÁ… TOMAR… NO MEIO… DO SEU…. CUUU!!!

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