Arsênio

…pois tem dias que tudo dá errado, mas a gente simplesmente não se importa.

E assim foi.
Acordei com oito metros de diâmetro e umas vinte toneladas pesando em cima do pescoço: era minha cabeça. O sono interrompido e o relógio contra mim, corri. Mas corri de mentirinha, pois o ânimo não me deixava. Sentei, tentei, mas não consegui pensar. Faltava pouco, mas não conseguia ter pressa.
Escrevi meia dúzia de palavras, me decepcionei. Falei, ouvi, fiquei feliz. Resolvi e sorri. E depois, nada mais seria capaz de me entristecer.
Comi mal, saí atrasada, o sol fritava meu corpo célula por célula. Mas só conseguia sentir a brisa fria tocando-me o rosto e o calorzinho gostoso aquecendo-me por dentro. Sorri, mais uma vez.
E esperei durante intermináveis minutos pelo ônibus que parecia nunca chegar. Mas chegou e, mais uma vez, sorri. Palpitava-me o peito, quase parecendo explodir. Entrei, perguntei, acatei. “Atravessar uma rua não me há de matar!”. Sorri outra vez.
Mas não era um apenas atravessar de rua. Era uma volta gigantesca, por lugares onde eu não deveria passar. Mas era também um passeio magnífico por todos os lugares que mais amo. Consegui passar por eles assim, um por um, acompanhando com os olhos e sonhos. Ouvindo algo do que mais amo. Sorri, e quase rasguei os lábios. Alcancei as orelhas e quase mordi os lóbulos. Amei, mais uma vez, mas por mim, mesmo. Amei o amor puro de alguém que… Simplesmente ama.
Amei o momento e os sonhos. Lembrei momentos que jamais esqueceria; não pelos momentos em si, mas pelo tanto que já senti. Sem pessoas. Sem histórias. Apenas o Sonho, em si. Em mim.
E com minh’alma tendendo ao infinito, pousei. Mas um pouso não muito pousado, pois ainda flutuava a meio palmo do chão. Ou mais, quem sabe.
Mas errei de lugar e rodopiei feito pião. Então resolvi colocar meus olhos no lugar e percebi: tratava-se do Pedro errado. Desta vez, ri. De mim e de minha bobagem. O meu Pedro ficava a alguns passos dali.
A essas alturas já não me importava com nenhum relógio. Sequer aquele, afinal já estava lá. Ri mais umas vezes, quiçá até em voz alta! Dessas coisas que a gente nem percebe…
Com pouco mais de uma hora de atraso, cheguei. Sentei. Li. Mas mais sonhei do que vi ou ouvi.
E tantos minutos passaram, mas nada percebi. Sorria, já disse. Mais até do que o próprio sorriso.
Voltei para casa sem mala nem cuia, mas com um pente na mão. E até consegui carona!
Palavras e risadas.
Atraso que seria considerado falta não foi computado. Ainda bem!
Deve ser porque eu estava feliz.

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