Arsênio

Saudades…

Disseram-me ainda há pouco: “análise de pobre é tanque de lavar roupa”.
Não sei, mas me parece bem verdade. Agora, pelo menos. Agora, que eu estava tirando roupas do varal e senti seu cheiro.

É estranho… As roupas estavam limpas! A alma lavada, com amaciante e tudo.
Não sei de onde veio, este cheiro. Mas bateu direto naquela camiseta… Aquela… É. Aquela mesmo.

Lembro do presente que me foi prometido. Jamais recebi… Mais uma promessa não cumprida, como tantas outras.

Aquela música está tocando. Aquela… Lembro de você sorrindo e cantando pra mim. Rindo de mim.

Lembro do dia em que chorei no meio da rua, sem que você visse. Elas estavam lá, as vespas. Abutres, ou sei lá o quê. Mas foi bom tê-las ali, naquela hora.
Eu chorei.

Lembro de quanto te amei, calada. Ah, quanto te amei! Mas não foi tanto assim… Não, não foi. Não por um triz. Por um sim. Por um não correr, um não fugir.
Poderia, poderia…

Sei lá…. Estas coisas…

Foi teu cheiro. Foi tudo culpa dele. O mesmo cheiro do sabão em pó.

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