Formoldeído

Breves Amores de Metrô

E eu escondo o rosto, timidamente. Fico ruborizada, o coração dispara um pouco.
Nunca o vi, jamais o verei novamente. São pequenos amores platônicos.
Paixões adolescentes, juro por deus! Os corredores escuros me são como um túnel temporal, direto aos meus 13 ou 14 anos novamente.
Sinto um arrepio na nuca, desvio rapidamente o olhar. Às palavras cruzadas, mais uma vez.
Aquela música é trilha sonora perfeita. Aumento o volume, sorrio pra mim mesma.
É como se um filme estivesse acontecendo. Um curta clichê, reprise de minha vida.
Mas é um rosto novo, de tão novo universo. É o terno bem cortado e de bom tecido. É a palhetada tão frenética quanto discreta de minh’alma-gêmea.
É o amor perfeito, o sempre sonhado. O príncipe em cavalo branco. Alado, ainda se duvidar.
É o sonho personificado… Do qual me escondo, timidamente. Ali, de coração levemente disparado. Um amor vão, que ainda assim marcará para sempre.
E sumirá, da mesma forma que veio. Em alguns segundos, junto com o fluxo. O rosto tão amado e admirado torna-se um rosto, e só. Mais um rosto, que em um instante de sonhos fora tão acariciado, mas agora se perde em meio à enxurrada de rostos que lava o vagão do metrô…

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