Absinto

Mallu Magalhães, Geração YouTube, inclusão digital e tudo o mais.

Estava eu vendo qualquer coisa no MultiShow (ou mesmo zapeando) e vi a overdose de Mallu Magalhães que acontece naquele canal. E na Globo inteira. E no Brasil. E, se pá, no mundo.
Daí eu fiquei prestando atenção nela e reparei que ela não é essas Coca-Colas todas que neguinho fala. Nem pra mal, nem pra bem.

Sabe o que é? Ela é mais uma daquelas meninas-meio-andróginas-esquisitinhas que tinha aos baaaaaldes no colégio em que eu estudava. Em geral, elas têm esse cabelo meio no queixo, andam sempre de calça jeans e AllStar rabiscados, aprendem a tocar violão, ouvem rockzinho antigo e algum indie… São todas mais ou menos iguais. – Eu, inclusive, tinha muito potencial pra ser assim, mas acabei virando headbanger e as cousas tomaram outro rumo. Mas éramos freaks, todas nós.

Mas se eram tão talentosas, por que raios então aquelas meninas do meu colégio não estão na Globo inteira, fazendo show, com banda boa, cousa e tal? Se Mallu Magalhães, que nada tem de mais, pode… Por que então aquelas coleguinhas não podem também? Uma palavra para vocês, queridos leitores: YouTube. Ou, de maneira menos específica, Internet.

Naquela época, internet era discada. E demorava duas horas pra abrir uma “Fulano’s Homepage” qualquer. Cada gif animado demorava um dia inteiro pra carregar e essa história de inclusão digital era coisa que nem se falava ainda. Aí o tempo foi passando e a coisa foi melhorando, foi aparecendo banda larga… E aí qualquer um pode usar um computador hoje em dia. Mas sabe? Vantagens e desvantagens, a culpa é nossa. Foi a gente, a nerdaiada, que foi contribuindo pra que a coisa crescesse e aparecesse. Nós, os freaks.

Na época em que tagline era novidade e “micreiro” era uma expressão comum, uma freak qualquer jamais teria conseguido se destacar na vida. Mas a Mallu Magalhães não é daquela época. E, graças a todos os nossos investimentos de sofridos anos de evolução tecnológica, ela pôde entrar no freakshow. (MariMoon é um meio termo entre isso aí e uma resistência de uma geração anterior. Mas aí é um oooutro caso.)

Depois de anos comprando disquetes, placas melhores, escrevendo blogs, aprendendo sobre programação, partilhando arquivos e pagando por produtos e serviços, vejo enfim qual o propósito daquilo tudo.
De quando Wolf 3D era um jogo gigantesco (ocupava um disquete inteiro!) e VP era uma novidade caríssima à internet banda larga de bolso e Time Capsules de 1TB, sofremos muito. Mas tudo em nome de um mundo, de fato, melhor. Não por Mallu Magalhães, é claro. Mas sabe? É a idéia de que qualquer idiota pode ter uma chance na vida. E esta é a essência mais pura do anti-capitalismo.

Hoje tem YouTube e MySpace. Agências de emprego sondam Orkuts e currículos e portfólios são publicados online (nem vou mencionar a infinidade de opções que incluem até delivery de supermercado – atenhamo-nos ao freakshow). E qualquer pessoa pode mostrar seu talento pro mundo inteiro. De repente, tem alguém que gosta. De repente, tem alguém que compra. E sabe? Às vezes aparecem figuras muito, muito boas. Talentos genuínos que jamais seriam conhecidos pelo mundo não fosse graças à nossa querida internet.

Acho engraçado – e fico até meio puta – de ver moleque que começou a usar internet anteontem e fica reclamando de inclusão digital, achando que sabe das coisas, patati patatá. Sabe qual o caso? Sabe porque reclamam tanto? É que eles não entendem o quanto a tão sonhada popularização da internet faz bem pro mundo. Porque deixa nossas vidas tão fáceis.
Quando eles chegaram, já tinha tudo aí.

Então, crianças, peço gentilmente que sejam menos senhoris e sabichões. Sejam mais respeitosos e menos reclamões. Antes de morder a internet que te alimenta, lembre-se que aconteceu muita coisa antes de você.

Pronto. Desabafei.

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Um comentário em “Mallu Magalhães, Geração YouTube, inclusão digital e tudo o mais.

  1. Caraca… que post comprido! Mas muito verdade! Me vi inserido no meio do freakshow, mas longe de ser o que a Mallu é hoje. Ainda assim, acho estranho encontrar na internet estranhesas absurdas tais como o que vemos às toneladas no orkut e etc… Mas válido tudo o que está no texto. Concordo.Quem sabe essa internet não me leva aonde espero e quero chegar…hehehehehe

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