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Natália (ep. 01)

Natália era uma moça que gostava de falar sozinha. Sozinha, sozinha mesmo. Conversava consigo própria. Contava-se piadas. Batia altos papos consigo mesma. E, não raro, Natália o fazia em voz alta.

Natália era também muito paranóica. Paranóica do tipo que, pra evitar que os vizinhos que por ventura pudessem ouvir achassem que ela era louca, resolveu passar a dizer “um beijo, tchau.”, ou “depois eu te ligo”, ou qualquer coisa assim, que desse a impressão de que ela estava falando ao telefone.

Menos de uma semana depois, Natália teve uma grande idéia! Agora ela poderia conversar sozinha em qualquer lugar! Usaria o telefone celular desligado no ouvido e ninguém saberia que ela estava falando sozinha. Ninguém, jamais, poderia desconfiar!

Aquilo acabou virando um hábito. O hábito foi crescendo, e virando mania. E a mania foi crescendo e virou um transtorno obsessivo-compulsivo. E Natália, toda vez que queria pensar algo, tinha que pensar em voz alta. E toda vez que ela pensava em voz alta, precisava usar o telefone. E lá ia Natália, pra cima e pra baixo, falando sozinha, com o telefone desligado no ouvido.

(continua…)

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2 comentários em “Natália (ep. 01)

  1. Man, Natália está retrocendendo! Crianças fazem isso para conseguir executar tarefas! Porque elas ainda não conseguem fazer isso apenas ‘pensando’ como todos nós, então elas precisam falar em voz alta para fazer qualquer coisa! huauhauha Vamos ver no que vai dar essa coisa de Natália =P

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