Absinto

The Real Gods of Metal

 

 

Lá pelo início da adolescência, quando eu tinha meus 12 ou 13 anos, um dos orgulhos da minha vida era arrotar “não gosto de Manowar!“.

E não gostava mesmo! Aquele som me irritava, achava uma bosta. Só que, para meu azar, meu irmão gostava bastante de Manowar e eu era forçada a ouvir aquilo. Odiava, de verdade! Nunca esqueço de Valdiní (aka: Lord Vlad, vocal da Maleflex Malefactor) e Roberto (também Malefa) me olhando feio na noite soteropolitana, me odiando por odiar e escrachar o Manowar abertamente, sem qualquer cerimônia.

Mas os meses foram passando, eu fui conhecendo mais coisas, o inglês foi melhorando…. E eu fui começando a, enfim, entender Manowar. Comecei a achar aquilo engraçado. Sabe? E eu pegava escondida as fitas do meu irmão e levava pra minha reuniãozinha de amigas, e a gente ouvia aquilo dando altas risadas… Não adiantava. Era tocar Manowar que eu rachava o bico de dar risada. Meu irmão, lógico, ficava puto! “Tá achando graça do quê?!? Não tem nada de engraçado aí! Não sei onde você tá vendo graça!”… E eu ria ainda mais!

Só que eu ainda não tinha entendido a coisa direito. O Manowar tinha uma piada pronta e certa. Eles eram os Reis do Metal. Os verdadeiros guerreiro de Odin. Os enviados de Conan! Outras bandas poderiam até tocar… O Manowar, não. O Manowar não toca. O Manowar mata! E eu, ingênua, ainda achava que eles realmente levavam aquilo a sério.

 

 

Os anos foram passando e eu fui conhecendo outras tantas bandas engraçadinhas. Conheci Maria do Relento, fiquei íntima do Ultraje a Rigor, apareceram os sem graça do Velhas Virgens, veio o Motörhead, rolou o fenômeno Mamonas Assassinas, não necessariamente nesta ordem. E aí apareceu o Massacration pra clarear as coisas na minha cabeça.

 

 

Rolou uma história que João Gordo mostrou o cd do Massacration (a banda da galera) prum produtor gringo e o sujeito pirou na banda, achou ducaralho e disse que eles über iriam fazer sucesso lá fora e patati-patatá. Aí que, como diz Danilo, o cartão debitou a ligação – porque ficha é uma coisa muito retrógrada: eu entendi que isso tudo era uma grande piada. E, pqp, é uma piada muito engraçada! E uma piada com guitarras vigorosas e baixos trabalhados. Aí eu entendi que Manowar era bom pra caralho. E era um show bonito de ver!

 

 

Naquela época, a gente era da galerinha do Metal, que é a galerinha mais bitolada que tem. Metal tem que ser sério e tem que ser levado a sério. Metal é a única coisa que você pode ouvir (e mais alguma banda estranha, música clássica ou alguma coisa que ninguém conhece) e aquilo move a sua vida. Mas pra isso, você tinha que birrar com alguma coisa.

Pois eu confesso: me arrependo. Me arrependo de não ter curtido Manowar enquanto era tempo. Do mesmo jeito que me arrependo de não ter curtido Spice Girls, Five, Backstreet Boys, essas coisas.

Hanson, não.

Hanson era muito chato.

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