SIC TRANSIT

Llegada a Madrid

(escrito dois dias atrás)

Tô sem sono.
São quinze pras cinco da manhã e eu aqui, acordadérrima, como se já tivesse dormido tudo o que precisava. E um pouco mais…
Estava cansada pra caramba, caindo pelas beiradas, achando Madrid toda muito linda mas fria e desinteressante. Meu único interesse era me enroscar sob aqueles edredoms e dormir, dormir, dormir…..
Só que aí eu acordei. Acordei e tô naquele momento crítico, que se eu não emendar o sono, só vou querer dormir bem na hora em que eu deveria tomar coragem e ir conhecer Madrid.

Tô com um pouco de fome, também. Não tem nada pra comer, exceto os restos do café da manhã que ficaram na minha bolsa. Acho que irei atacá-los assim mesmo e, meu único grande arrependimento, é de tê-los deixado lá no quarto, de onde saí na pontinha do pé pra não acordar minhas adoráveis roomates – uma brasileira-mineira-loira e uma holandesa-que-não-é-de-Amsterdã. Elas me pareceram boa gente e tal, mas dessas bem do tipo boa-menina, que dorme cedo e acorda cedo. Não queria voltar lá não, a não ser pra cair na cama e dormir à vera. É que só a zoada que eu fiz pra cutucar minhas coisas e catar o que eu precisava foi o suficiente pra uma se revirar toda na cama e a outra pegar o celular, olhar a hora e dormir de novo. Aí já viu, né?
E o corredor ainda tem uma luz infernal, que bate certinho no olho das pobres coitadas, que tiveram a sagaz idéia de dormir com a cara pro lado da porta.
Aí fodeu. Não vou filadaputar e anarquizar com o sono das meninas, inda mais que elas foram umas lindas, todas cuidadosas pra não me acordar enquanto eu estava lá em coma, babando, toda enroscada em meus bichos de pelúcia. (Quer dizer, eu acho, né? Porque eu tava em coma, como eu disse.)

Tô doida pra fumar um cigarro, mas parece que não há área pra fumante aqui dentro do hostel. Deve estar frio PRA CARALHO lá fora. Não tive coragem de checar, porque se a porta fechar, fodeu. Não tem quem abra. O recepcionista não tá por aí e uma placa na porta diz alguma coisa sobre o hostel ficar aberto até 1:30h. Ou seja…

Cruzei com dois sujeitos aparentemente meio bebos, naquela vibe “BÓ PRA FESTA ÊÊÊÊ!” ou “A FESTA FOI MASSA ÊÊÊÊ!!”, tanto faz. Eles mexeram em algum coisa nos lockers ou na máquina de porcaria (refrigerante, salgadinho, essas coisas) e sipicaram. Nem vi a direção, pra dizer a verdade, que eu tava dando uma escapulidinha pra dar uma penteada no cabelo e uma lavada na cara.

Ainda não tive a manha de tomar banho, não. Aliás, pra te dizer bem a verdade, não tive a manha nem de escovar os dentes desde que eu cheguei, Mas entendam, não é porcalhice!
É que, um, mal cheguei foi aquela onda de achar metrô pra achar hostel pra me instalar em hostel pra descobrir que o hostel não tem internet pra caçar um lugar com internet pra dizer “mãe, tô viva” pra voltar pro hostel pra organizar minhas coisas pra achar uma calça cofortável pra deitar na cama e… lona.
E, dois, – e, pra dizer bem a verdade, o motivo mais importante de todos – é que eu ainda tô me batendo com as torneiras daquie não sei o que preciso fazer pra que saia água quente e dentro delas. Por mais que eu gire o pininho pra parte vermelha, a sensação continua sendo a de que eu enfiei a mão num balde de gelo, então tá foda.

Na real, eu acho que eu até ainda consigo dormir mais umas horinhas até o café (que acontece entre 8 e 9 y media de la mañana) e acordar em tempo de comê-lo.
Mas é que sei lá… É muito esquisito (pra não dizer chato pra caralho) estar absolutamente sozinha num hostel sem internet onde todos dormem, não se pode fumar, não se pode sair com a certeza que poder-se-á voltar….

Sei lá. Acho que vou testar o método Helsinki de fumar (leia-se: colocar um livro/sapato.mochila/whatever entre a porta e a fechadura) e torcer pra dar certo e eu não congelar lá fora.
Se tudo o mais der errado, das duas uma: ou eu acordo o hostel inteiro, aloka, “ME DEIXEM ENTRAR!” ou dou uma voltinha no quarteirão caçando a placa de “abierto 24h” que eu vi, mas não lembro onde foi.

Aliás, mãe, foi o tal do Corte Inglés que tu disse pr’eu ir ver a câmera, que vendia baratíssimo? Eu vi que tem umas 3 ou 4 lojas dessas só aqui nos arredores, cada uma com uma função diferente. Não entrei não, que eu tava naquela vibe de dormir, mas, da porta pra fora, parece que cada uma delas é uma grande Mesbla (Ou Fnac, pros mais finos); uma inteira só pra elerônicos, outra inteira só pra cosméticos, outra inteira só pra… Bom, cês entenderam a vibe, né?

Olha, de Madrid, eu só digo uma coisa: é bonita pra caralho, tipo uma Buenos Aires civilizada. Não querendo ofender os amigos porteños, longe de mim. Mas Madrid é tipo o que os argentinos pensam que Buenos Aires é, manja?

E tá frio. Frio pra caralho. E eles ainda disseram “você não viu nada”, quando eu entrei no hostel desespeada e tremendo, dizendo “putamadre, más que frío!”.
Penso eu: vou ainda pra Romênia. Tudo neve.
Tô fodida, né?

Agora dá licença, que eu vou descobrir se rola o lance do cigarro ou se eu vou ter que tomar uns florais de Bach (aham, Cláudia) pra pegar no sono de novo e rezar pra acordar antes de NUEVE Y MEDIA Y NADA MÁS! e, pelo menos, enfiar umas coisas no bolso pra voltar pra cama e terminar de dormir. Delícia esta sensação de chegar numa boa, num lugar que você entende o que todo mundo fala e ter uns 3 ou 4 dias de gap pra se organizar rumo ao intercâmbio TREVAS da Aiesec, onde as pessoas nunca dormem e te arrumam coisas pra fazer 24h por dia.

Olha, devia ter feito isso na vez que fui pra Moscou, viu? Maluquice passar mais de vinte e quatro horas direto viajando assim, direto, no desespero, pra chegar do outro lado do mundo. Dei mole. Devia era ter passado uns 3 ou 4 dias em Amsterdã antes de seguir pra Rússia. Certeza minha chegada lá ia ser beeeem mais tranquila… (ehehehehehe)

(Aliás, o nome disso é Stop. Perguntem a Laiz, da Alcance Viagens. Ela manja das putarias e tem a manha de achar os vôos mais supimpas de todos, coisa impressionante.)

Bom. Deixa eu ir lá resolver meu cigarro.

Resumo do dia 1: Tudo ok. 🙂
Gastos: Uns trinta euros (pouco menos, na verdade); incluindo bilhete de metrô do aeroporto até praticamente a porta do hostel (tipo meio quarteirão, perto mesmo), uma agua mineral deliciosa de gelada, hospedagem por uma noite no hostel mais limpo no qual já estive na vida (includo desayuno), um chocolate quente com caramelo + 45 minutos de internet no Starbucks e dois euros e meio (em moedas, é claro) que caíram do meu bolso em algum momento entre o bilhete do metrô e a água mineral.

P.S.: As pessoas começaram a acordar, já são seis da matina e eu não vou ficar trancada do lado de fora. YAY! \o/

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