SIC TRANSIT

Compilando constatações. E impressões, claro.

Fiz câmbio hoje, troquei 200 Euros e, pelo que me disseram, é suficiente pra sobreviver dois meses, se não for pra ficar luxando. Deus escute!

Tudo de plástico. Até hoje, só vi até o de 100.
Tudo de plástico. Em pessoa, só vi até a de 100.

Aqui é tudo muito barato! Esqueci a bota mais quentinha de todas em Madrid. ;/ Fiquei chateada. Era a de oncinha, ainda por cima! Estampa de oncinha e pompom pendurado. Gastei 20 Euros e nunca vou usar. Afinal, que caralho eu vou fazer com uma bota de pelúcia em Salvador?!?!

Bom…. Aí hoje eu vi uma loja que se você comprava um sapato, ganhava outro de graça. Paguei 60 LEI e levei duas botas super quentes, daquelas cheias de pelúcia e lã dentro, deliciosas de quentinhas.

1/4 de Euro

Comprei também minha câmera, finalmente! \o/ Junto com um cartão de memória de 16gb (ou foi 32, Silvana?) custou quase mil Lei (uns setecentos e tal). É uma Sony, não é a mais moderna mas também não é a mais vagabunda. Bem boazinha!

 Ontem nevou e eu comi neve com a ponta da língua. é uma sensação deliciosa! ihihihi Hoje já esquentou um pouco (não se iludam não, continua frio como um corno) e choveu em vez de nevar.

A menina que está dividindo o quarto comigo é professora de história lá na Hungria e está estudando e pesquisando pra tese de PHD dela, que é sobre a Transilvânia no século 17. Ganhei na loteria!

Ainda por cima é um amor de pessoa, estamos nos dando muito bem. Tem 27 anos, o que é ótimo, já que é um dormitório estudantil e a maioria da galera aqui é bem nova e bagunceira (pelo que eu vi, né? ainda não deu tempo de sacar muita coisa não…).

A cidade é bem pequenininha e a galera é absolutamente maravilhosa e simpática. Estão me mimando e paparicando pra caramba!
Se vocês puserem “Caminul XVII, Str. B. P. Haşdeu, Cluj, România” no Google Maps vão ver exatamente onde estou.

Gastei alguma coisa com comida, mas eles disseram que me reembolsarão. Me mandaram guardar as notas fiscais e tal. Vão também me dar um cartão de ônibus e um chip de celular. Eu disse que eu podia comprar o chip e tal, mas eles disseram que me darão um com um plano específico de uma operadora específica que me dá um monte de minutos (uns mil, sei lá).

Mas isso tudo só vai rolar a partir de terça-feira, imagino que é quando liberam a grana pra eles.

Estou dormindo em horários esquisitos, apesar de escurecer e clarear em horários bastante razoáveis. É que é um monte de hora de diferença! :S

Meu nariz tá horrível, tem sangrado um bocadinho. O ar é bem seco comparando com Salvador, mas tô tomando Vitamina C todo santo dia.

Eu escrevi um texto super lindinho sobre o que eu sei da Romênia pra mandar num formulário pro LC de Bucareste, mas fui besta e não colei em lugar nenhum antes de enviar, e agora eu preciso descobrir no pé de quem eu tenho que chorar pra conseguir uma cópia.

Um rapaz muito sagaz me perguntou o que eu sinto quando chego nestes lugares desconhecidos… É um encantamento, acho. Embasbacamento. Familiaridade… É estranho, é um misto. Muitas vezes eu tenho a sensação não de que já estive aqui antes, mas que era aqui e agora que eu tinha que estar e que tá tudo certo.

 E por “aqui” eu digo qualquer “aqui”. Romênia, Rússia, São Paulo, Minas… Eu fico curiosa de ver e explorar, mas ao mesmo tempo eu sinto como se fizesse parte daquilo tudo.

Me sinto em casa, mas sinto saudade de casa.

 “Você respira o mesmo ar que todos, pisa na mesma terra que todos, e compartilha o mesmo vento no rosto. O que muda é o a relação de intimidade com tudo isto.”, ele disse.

E é bem mais ou menos isso.

É como se eu fosse a estranha no ninho, mas todos também o são. Pra mim, eles são parte da paisagem, pra eles, eu faço parte da paisagem. O mundo é meu, inteiro. Eu faço parte dele e eu vim da mesma fonte.

Senti isso em todos os lugares, mas aqui na Romênia essa sensação é muito forte. Muito mesmo. Eu tenho cá pra mim que o centro da Pangéia ficava bem aqui, sabe?

Por isso esta minha fixação, o sonho antigo de conhecer…….. É uma atmosfera mística e completamente mágica.

Tem gente que gosta de criar raiz. Eu espalho rama, mais que enraízo. Isso é coisa de nômade, mesmo. E isto aqui é terra de cigano, ora meça!

O povo é uma delícia, super simpáticos, tão me mimando um monte. Cidadezinha pequena, sem metrô, não tem ônibus pra qualquer lugar…. Mais fácil ir a pé.

E aí meu amigo sagaz me fez algumas perguntas e me cutucou e eu comecei a dissertar. É que, diferente da maioria das pessoas, ele perguntou as coisas do jeito certo, acho.

Marcelo Vinci

Lugar aparentemente agradável
Maga Mya

é sim

o povo é uma delícia, super simpáticos, tão me mimando um monte

ihihihi

Marcelo Vinci

ihihihih

Olha!

Poxa, gostei dos romenos
Maga Mya

ihihihihi

eu também

cara, os latinos são diferentes

tudo que é povo que vem do latim é mais legal, mais amável, mais alegre

de enraizar…

sei lá. eu disse espalhar rama porque acho que é uma metáfora melhor.

mas eu meio que enraízo em todos os lugares, entende?

esporos, sei lá
Marcelo Vinci

Sim, se habitua, entrega, não resiste, comunica, troca, compartilha e aceita onde está

O mundo dentro de Maga – Maga dentro do mundo

Será que entendi?…rs
Maga Mya

bem isso.

só que Maga é um título

e Mya é um nome artístico, só

Maga Mya

aqui é Silvana, mesmo

ou Nana, na verdade.
Marcelo Vinci

Confuso!

Maga Mya

só eu. não a persona, a Maga e palhaça

Marcelo Vinci

To acostumado, se assim posso colocar, com Maga

e Mya
Maga Mya

é, to só explicando a diferença

ehehehe

Maga Mya é aquela da foto

de maquiagem e nariz preto, cartola na cabeça

é a personagem

é parte de mim, mas não sou eu

Mya é Mya, ora

Silvana é meu nome, nos documentos e tal

Silvana Machado, prazer.

Silvana Machado Valença, mais precisamente.

Marcelo Vinci

Espanto (Novamente)
Maga Mya

primeira vez que minha mãe me perguntou meu nome, eu respondi “Nana”

Marcelo Vinci

Silvana Machado Valença!

Nomão
Maga Mya

e aí me chamam assim desde então.

é, né?

forte.

brasileirão.

quando eu era mais nova, olha que besteira!, eu ficava com invejinha dos meus amigos que tinham sobrenomes “chiques”

aí eu fui pra São Paulo e descobri que todo mundo tem sobrenome chique.

ehuaheahgea

e aí eu fui pra Rússia e me dei conta de que não só meu nome, mas minha etnia, minhas características, tudo… acho que até meu sotaque Baiano-Paulistanado… sei lá. quer um exemplo de Brasileiro normal? Tô eu aqui.

preto com branco com índio misturado

um metro e sessenta e pouco e manequim quarenta e dois

cabelo meio liso meio ruim

sei lá.

de repente passei a sentir um orgulho danado dessas coisas!

nossa terra é linda demais.

bom…

Nana é essa aqui, ó:

Sou eu.

Marcelo Vinci

Sorriso tranquilo, olha!

Você, na foto, já na Romênia?

Maga Mya

não

a primeira é em casa

a segunda, na finlândia

tem uma só daqui

xeu achar

comprei a camera hoje (ontem né?)

Marcelo Vinci

E a neve?

Havia antes tocado, provado?
Maga Mya

nunquinha

em moscou eu fiz snowboarding, mas era neve artificial

que é igual àquela raspa de gelo do freezer da gente, mesmo

neve, neve mesmo, é outra coisa

primeira impressão é incrível

é lindo

mindfuck total

aí você percebe que é só chuva

mas é que tá tão frio, que a água congela antes de chegar no chão

aí vc lembra que vc tinha lido isso nos livros e que sua professora do primário já tinha te explicado isso

mas que ela mesma, a professora do primário, não fazia idéia do que estava dizendo….

é chuva. é só chuva. mas é absolutamente mágico.

E é isto. 🙂

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