SIC TRANSIT

La Viajera

Eu viajo de um jeito diferente. Eu curto as emoções da viagem de outro jeito.
Nunca fiz muita questão de conhecer pontos turísticos, dessas coisas que a gente entra no Google e vê um monte de foto, todas tiradas do mesmo ângulo. Não poso de braços abertos, tampouco
finjo que seguro montanhas. Também não as escalo, se não fizer muita questão.
Não gosto de pagar pra entrar em museu, não compro passeio turístico, não gosto de excursão.
Experimento, no entanto.

Povo reclama muito de dormir em Dólar, de dormir em Euro. “Tempo que se perde dormindo poderia ser usado pra passear, conhecer, ver coisa.” Mas ora! Não vejo nada bem quando estou de mau-
humor. E, se tem um troço que me deixa mau-humorada, é acordar antes da hora que eu deveria.
É biológico, cara. Meu corpo me pede assim. Se são X horas que preciso de sono por noite (ou dia ou whatever), são X horas que preciso dormir. Assim como tenho que fazer refeições calmamente, usar o banheiro
tranqüila, parar pra fumar um cigarro. Estas coisas, que fazem a gente funcionar bem.
Não gosto de fazer tudo correndo, atropelando, olhando pra relógio. Isso faço em casa!
Quando estou passeando, apenas observo… Vou tranqüila, caminhando pelas ruas, escutando pedaços de conversas e observando o dia-a-dia das pessoas. Um dia comum. O mais ordinário cidadão
local, sendo ele mesmo, indo ali na padaria comprar um pão.

Gosto de puxar conversa com a moça da vendinha e o tio da banca de cigarros. Adoro dar conversa pra taxista. Entro em galeriazinhas pequenas… Estive no Hermitage, mas me emocionei muito
mais quando, em Brugge, eu e a Húngara topamos com um sobradinho de dois andares que era, embaixo, um pequeno atelier e galeria e, em cima, a casa de um simpático senhor belga que vivia
ali com sua esposa e, talvez, um ou dois filhos.
Ele pintava bem. Eram lindos, os quadros.

. . .

Compro presentes simbólicos e nem sempre é pra todo mundo. Na verdade, é como se cada pessoa fosse ganhar um único presente na vida, único e especial. Eu vejo as coisas e lembro das pessoas. Nem sempre os mais próximos são os primeiros presenteados… Mas é que, O Presente, eu não vi ainda. Então não levo qualquer coisa. Às vezes rola, só uma pequena lembrança… Mas é que eu vi e lembrei da pessoa e eu tinha a grana e não teve jeito. Mas é sempre simbólico.

…E, de cada lugar do mundo, eu pego um pedaço e deixo um pedaço. E levo um pedaço pra dar pra alguém. E de resto, só me restam as histórias.

A vontade de mostrar pras pessoas que não é tão difícil e elas podem ir também e assim podemos comparar impressões, dividir memórias afetivas, saber o que cada um sentiu em cada lugar. Intercambiar amigos. Fazer pessoas conhecerem pessoas, contar e ouvir novas histórias de novos lugares e universos fantásticos.

. . .

Quando chego em um lugar novo, gosto de sentar e observar. Gosto de comer guloseimas diferentes e provar comidas que nunca vi antes. Às vezes sei que não vou gostar, mas eu como mesmo
assim. Às vezes eu digo não e pronto. Depende do humor, não tenho regras pra isto. Sou muito avessa a comer com regras!
Gosto de pedir delivery. Ver como se tem serviço em casa no lugar. Uso a internet. Desligo do mundo. Procuro ler um livro local… – O que comem estas pessoas? Como vivem estas pessoas? O transporte aqui é legal..? Tem coisa gostosa e saudável pra comer, beber e fazer..? Será que o pão daqui é bom?!?

Gosto de ir no supermercado, de ver os produtos de limpeza e de beleza. Gosto de ir na farmácia. No fundo no fundo, é como se eu estivesse testando e buscando meu lugar no mundo. “Será que eu me encaixo aqui?”

Em geral, na verdade, a resposta é “Sim.” e, raras vezes, “Oh, yeah, mama!! Sim! Sim! Hells ye-eah!”. A conclusão que eu sempre chego, no final, é que a vida é muito curta e o mundo é muito grande.

Grande pra caralho.

Pra caraaaaalho..!

…E tem muita coisa pra fazer, muita coisa pra comer, muito a conhecer, muita estrada pra andar, muita pedra pra tropeçar, muita gente pra conversar, muito ar pra respirar, muita água pra beber, muito café diferente, chá, suco, leite, biscoito, queijo, massas… Tudo tem outro gosto quando se está em outro lugar.

Receitas diferentes, climas diferentes, texturas diferentes, tradições, culturas, preconceitos, conversas de ponto de ônibus, cabelos, roupa, maquiagem, sapato, gordos, magros, limpos, sujos, dentes, saúde, cigarros,
dinheiro, moeda, acessibilidade……………………….! Tanto a se ver, tanto a se provar..!

. . .

Ah, eu gosto de viajar. Gosto de pisar tranqüila em novos oceanos. Passiva, mas tentando deixar um rastro de bem.
Boa educação, sorrisos, “Obrigado!” na língua local. Custa nada, faz bem, recebe bem e te leva feliz, seguro e, acima de tudo, tranqüilo na viagem.

E eu rezo. Eu rezo muito e carrego sempre meus patuás comigo. ;D

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